Batidas de violão para iniciantes: 5 ritmos para começar
Depois de aprender os primeiros acordes, o próximo desafio é a mão direita: a batida, ou levada, que dá ritmo à música. Uma boa batida faz até uma sequência simples de acordes soar como música de verdade. Neste guia, as batidas são escritas com setas: ↓ para baixo (da corda mais grossa para a mais fina) e ↑ para cima (da mais fina para a mais grossa).
Fundamentos da mão direita
- Movimento contínuo: a mão sobe e desce sem parar, como um pêndulo, mesmo quando não toca as cordas. Isso mantém o tempo constante.
- Movimento do pulso: o movimento vem principalmente do pulso, relaxado, e não do braço inteiro.
- Para baixo nos tempos, para cima nos contratempos: em geral, as batidas para baixo caem nos tempos (1, 2, 3, 4) e as para cima nos "e" entre eles.
- Palheta ou dedos: as duas formas funcionam. Com os dedos, use a unha do indicador para baixo e a polpa do dedo ou do polegar para cima.
Para revisar a contagem de tempos e subdivisões, veja compasso simples e composto.
Batida 1: só para baixo
↓ ↓ ↓ ↓ (um toque em cada tempo do compasso 4/4)
A mais simples de todas. Ideal para os primeiros dias, enquanto a mão esquerda ainda está aprendendo a trocar os acordes. Conte "1, 2, 3, 4" em voz alta.
Batida 2: baixo e cima
↓ ↑ ↓ ↑ ↓ ↑ ↓ ↑ (contando "1 e 2 e 3 e 4 e")
Todos os tempos e contratempos. Treine com volume menor nas batidas para cima, que costumam pegar só as cordas mais agudas.
Batida 3: a batida "pop"
↓ ↓ ↑ ↑ ↓ ↑ (contando "1, 2 e, (3) e 4 e")
É uma das mais usadas em pop, rock acústico e música gospel. O segredo está no terceiro tempo: a mão passa para baixo sem tocar as cordas, e volta tocando para cima. Isso cria o balanço característico. Treine devagar até o movimento ficar natural.
Batida 4: valsa (3/4)
↓ ↓ ↓ com o primeiro toque mais forte, ou ↓ ↓↑ ↓↑
Para músicas em compasso ternário, como valsas e algumas canções sertanejas. Acentue o primeiro tempo: UM dois três.
Batida 5: baião simplificado
Uma forma comum de começar é tocar o baixo do acorde com o polegar no tempo 1 e completar com toques nas cordas agudas, criando a sensação "TUM, ta-ta". Ritmos brasileiros, como o baião, o samba e a bossa nova, combinam baixo e acordes de maneira mais elaborada, e valem um estudo próprio depois que as batidas básicas estiverem firmes.
Como treinar
- Comece só com a mão direita, abafando as cordas com a mão esquerda, para focar no ritmo.
- Use um acorde só, como Em ou G, até a batida sair sem pensar.
- Use metrônomo em andamento lento, cerca de 60 a 70 batidas por minuto; veja como usar o metrônomo.
- Adicione a troca de acordes, primeiro um acorde por compasso, depois dois.
- Toque junto com a gravação da música, que é o melhor teste de tempo.
Erros comuns
- Parar a mão para trocar o acorde: o ritmo quebra. Se a troca ainda é difícil, toque a última batida do compasso com as cordas soltas enquanto a mão esquerda se move.
- Apertar demais a palheta ou travar o pulso: o som fica duro e o braço cansa.
- Acelerar sem perceber: o metrônomo resolve.
- Bater em todas as cordas sempre: em acordes como D e C, evite as cordas graves que não fazem parte do acorde.
Como escolher a batida da música
Ouça a gravação com atenção e tente identificar o compasso e o "balanço" da música. Muitas vezes, uma batida simples funciona melhor do que uma complicada. A cifra indica os acordes, mas não o ritmo; veja como ler cifras.
Antes de tocar, confira a afinação; veja como afinar o violão. E para os acordes da mão esquerda, veja os primeiros acordes no violão.